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  • Os Segredos da Mente Milionária, T. Harv Eker

    Os Segredos da Mente Milionária , T. Harv Eker, foi publicado em 2005 - mas está até hoje na lista dos Mais vendidos da Amazon, na categoria Motivacional Auto-Ajuda . E o livro tem bastante de auto-ajuda, mesmo: pelo menos uns 10 dos “17 Arquivos da Riqueza” focam nos modos de pensar que diferem as pessoas ricas dos demais. Não desconsidero esses conselhos - como estudante de neurociência, entendo a importância dos nossos modelos mentais e como eles influenciam nossas ações.  Mas a verdade é que o maior valor do livro está é nos demais conselhos - muito mais práticos e objetivos, que tratam de gestão financeira em si. Tentei resumir alguns aqui: ✔ Administre bem seu dinheiro Se você não cuida bem do que tem hoje, não terá mais amanhã. Isso envolve ter controle e gestão de suas finanças, planejar gastos, e - principalmente - reduzir o seu custo de vida.  ✔ Foque na construção de um patrimônio Não importa quanto você ganha, e sim quanto você guarda. Quem nunca ouviu as histórias de ganhadores de loteria ou jogadores de futebol que, de depois de alguns anos como milionários, acabaram cheios de dívidas? ✔ Ponha seu dinheiro para trabalhar por você  Ligado ao ponto anterior, o segredo está em acumular ativos que gerem renda passiva - sem que você precise trabalhar ativamente. Investimentos, apartamentos de aluguel - o que couber no seu orçamento. O importante é começar a fazer o dinheiro trabalhar para você.  ✔ Seja remunerado por resultados, não por tempo Trocar tempo por dinheiro impõe um limite ao quanto você conseguirá acumular. Quem prefere ser pago com base em seus resultados demonstra confiança em suas habilidades e no valor que agregam - e ganha mais. ✔ Foco e Dedicação Enriquecer exige foco, conhecimento, especialização, e 100% de dedicação. Não existe caminho fácil (nem mesmo para os influenciadores que querem fazer você achar que sim).  Em resumo: mesmo no livro mais vendido de “auto-ajuda motivacional”, a maior lição é que não basta visualizar a conta bancária cheia ou falar em voz alta os mantras do sucesso. O segredo é a educação financeira: poupar, investir, administrar seus recursos, e construir um patrimônio sólido ao longo do tempo. PS: Esse foi mais um livro que comecei com uma pitada de preconceito (ok, talvez uma colher de sopa inteira de preconceito), mas que acabou me surpreendendo. Nada como ir além da capa, né?

  • A Bailarina de Auschwitz, Edith Eva Eger

    Aos 16 anos, Edith Eva Eger viu sua família ser destruída e enfrentou horrores inimagináveis em campos de concentração.  Sobrevivente de um dos períodos mais sombrios da história, a autora de A Bailarina de Auschwitz  mostra no livro como, mesmo nos momentos mais difíceis, é possível transformar a dor em crescimento. Depois de anos lidando com a culpa e as cicatrizes emocionais de tudo que viveu, Edith se formou em psicologia. Ela acabou encontrando seu propósito ajudando pacientes com transtorno do estresse pós-traumático, como veteranos de guerra e mulheres vítimas de violência doméstica, a lidar com o passado. Segundo Edith, não se trata de apagar ou esquecer o que aconteceu; mas sim, de escolher não ficar aprisionado, e de entender que mesmo as experiências mais dolorosas podem ser ressignificadas.  Em um momento em que as notícias são tão tristes, essa é uma leitura essencial para todos que buscam entender a profundidade da resiliência humana e a nossa capacidade de superação.

  • Desinformação, Dan Ariely

    Todo mundo tem um “tio” - de sangue ou consideração - que, no que pareceu ser de uma dia pro outro, começou a acreditar em teorias da conspiração, ser anti-vacinas ou achar que a terra é plana.  O que leva alguém - até então aparentemente racional - a acreditar em fake news e teorias da conspiração? Esse é o tema do livro Desinformação, do professor de Psicologia e Economia Comportamental Dan Ariely (muito conhecido pelo livro Previsivelmente Irracional). É fácil colocar uma primeira culpa nas redes sociais (e sim, elas têm um poder amplificador). Mas nesse livro, Ariely investiga a psicologia humana, mostrando como nossas emoções, vieses cognitivos e até nossa personalidade podem nos conduzir pelo que ele chama de “Funil da Desinformação”. O funil tem quatro etapas: 1- EMOCIONAL - Estresse e busca por controle: Quando enfrenta incerteza, a pessoa sente uma necessidade urgente de entender o que está acontecendo. Com isso, cria histórias (muitas vezes falsas) para dar sentido ao caos e busca culpados. Isso aumenta a sensação de controle e compreensão. 2- COGNITIVO - Busca enviesada e raciocínio motivado: Em vez de investigar diferentes perspectivas, a pessoa busca informações que confirmem o que já acredita, ignorando informações diferentes e distorcendo a realidade para manter a ilusão de que está certa. Para piorar: se ela expressa publicamente suas crenças - seja em redes sociais ou no jantar de família - ela entra numa “escalada de compromisso”, ficando cada vez mais apegados a elas.  3- PERSONALIDADE : Algumas pessoas têm maior predisposição para entrar nesse funil; por exemplo, pessoas com tendência a confiar demais nas suas intuições, que vêem padrões onde eles não existem, e com vieses cognitivos, como confundir correlação com relação causal, ou achar que dois eventos acontecerem é mais provável do que só um deles (a falácia da conjunção). 4 - SOCIAL - As forças sociais estão presentes desde o início, do funil, mas vão aumentando seu poder de influência conforme a pessoa vai se afastando do convívio com familiares e amigos que não acreditam nas mesmas coisas, e conhecendo e se relacionando (ainda que virtualmente) com outros que compartilham de suas crenças.  O livro foca bastante no COVID-19, e nos ataques que o próprio Dan Ariely viveu ao se descobrir, em diversos vídeos e matérias fake , como um dos “líderes” criadores de toda a trama para espalhar o vírus e reduzir a população mundial. Vale a leitura! Ou quem sabe recomendar o livro pro tal “tio”? #fakenews #livros #danariely #psicologia #leitura Link: https://amzn.to/40Awc18

  • Inteligência Emocional, Daniel Goleman

    Daniel Goleman é considerado por muitos como o “pai” da Inteligência Emocional -  certamente, por conta de seu livro, best-seller publicado em 1995 e com mais de 5 milhões de cópias vendidas em todo o mundo.  O que nem todo mundo sabe é que não foi ele quem criou esse conceito. No próprio livro, ele conta que se baseou muito no trabalho de dois outros pesquisadores, Peter Salovey e John Mayer. Isso, é claro, não diminui a importância do livro de Goleman, que rompeu as barreiras do meio acadêmico e popularizou a expressão no meio corporativo. No livro, Goleman explora diversos aspectos das emoções: desde a sua função evolutiva (nos ajudando a reagir rapidamente a situações de perigo) até como o nosso “cérebro emocional” (sistema límbico) frequentemente toma decisões antes do cérebro racional (córtex pré-frontal). De forma super didática (apesar do livro em inglês ter um vocabulário bastante denso), o autor descreve o que ele considera os cinco pilares da inteligência emocional:  - AUTOCONSCIÊNCIA:  a capacidade de reconhecer e nomear as próprias emoções - AUTOREGULAÇÃO: saber controlar reações emocionais - AUTOMOTIVAÇÃO: conseguir canalizar emoções para atingir objetivos - EMPATIA: compreender as emoções dos outros - HABILIDADES SOCIAIS: saber se relacionar de forma eficaz O que eu mais gostei no livro é que ele traz diversos estudos de neurociência e psicologia para fundamentar os conceitos apresentados (citando Howard Gardner, Mihaly Csikzentmihalyi, Martin Seligman, John Caccioppo, paul Ekman, entre outros). Inclusive, se você leu “Mindset” (da Carol Dweck) ou “Garra”, da Angela Duckworth, vai perceber que as bases do que elas falam já estavam presentes (ainda que com outros nomes) nesse clássico da psicologia.   O que menos gostei? Com exceção dos capítulos finais, onde ele fala sobre janelas de oportunidade e traz de forma bem clara ideias e programas de como desenvolver inteligência emocional em crianças, no restante do livro as explicações são mais teóricas e menos práticas. Vale como uma leitura inicial para aprender sobre o assunto, mas insuficiente para quem precisa mudar de fato algum comportamento.      PS: É comum atribuírem a Goleman a afirmação de que “Inteligência Emocional importa mais do que QI”. Terminei recentemente um curso dele, e ele é enfático em dizer que é só ler com atenção o subtítulo do livro que você percebe que ela PODE importar mais do que QI - mas que isso depende, é claro, da função e do momento da carreira de cada um. E que, além do QI e do “QE”, diversos outros aspectos determinam o sucesso de uma pessoa: da classe social até a pura sorte.  Link: https://amzn.to/4at3ioi

  • Cada Vez Mais Forte, Arthur C. Brooks

    Você é viciado em sucesso? “Cada Vez Mais Forte”, do professor de Harvard Arthur C. Brooks, foi um dos meus livros preferidos de 2024. Confesso que demorei uns meses para comprar, porque estava com uma pitadinha de preconceito. Achei o subtítulo - “Como encontrar sucesso, felicidade, e propósito na segunda metade da vida.” - meio piegas. Mas li alguns reviews animadores, dei uma chance, e não me arrependi.  Um dos melhores conceitos que ele traz no livro é, na verdade, de 1971, e foi proposto pelo psicólogo britânico Raymond Cattell. É a ideia de que as pessoas têm dois tipos de inteligência: a inteligência fluida e a inteligência cristalizada.  A inteligência fluida é aquela relacionada à nossa habilidade de raciocinar, pensar com flexibilidade, aprender rápido e resolver novos problemas. Ela chega no auge no começo da vida adulta, quando temos o máximo de energia e buscamos o sucesso através do trabalho.   A questão é que o sucesso chega - mas a satisfação não. Então trabalhamos mais, em busca de mais sucesso. Um dos exemplos do livro é de uma executiva internacional, super bem sucedida aos olhos de todos ao seu redor, mas que - nas suas próprias palavras: “criou uma versão de si mesma que os outros admiram”. A aprovação, os aplausos e os elogios que recebia só alimentavam seu circuito de dopamina - e ela nunca se sentia “bem-sucedida o suficiente”.  E com o auge do sucesso, vem o medo do declínio. E é fato: a tal inteligência fluida, combustível do sucesso, começa a cair entre os 30-40 anos.  (Essa é a hora que você para de ler, bebe meio litro de água e respira fundo porque o autor PRE-CI-SA mudar de direção).   A boa notícia é que existe uma segunda “curva” de inteligência que, nesse mesmo momento, está em crescimento.  É a inteligência cristalizada: a habilidade de utilizar o conhecimento que a pessoa adquiriu durante toda a vida; a “sabedoria”. E o melhor: essa não diminui até bem tarde na vida (assumindo que você se cuide, durma 8 horas por noite, pratique atividade física, etc etc etc!). Enfim, o desafio que o autor propõe é justamente esse: a coragem de se livrar do vício no “sucesso”, e decidir saltar da primeira para a segunda curva. Isso pode significar uma mudança de setor, de carreira, voltar a estudar ou redirecionar seus conhecimentos, como por exemplo de uma posição executiva para uma posição de Conselho. A transição entre as curvas pode ser desconfortável — como em qualquer momento de liminaridade na vida, existe o medo de perder relevância e a dificuldade de deixar o conhecido para trás.  O segredo, segundo Brooks, está em entender que o que o trouxe até aqui não o levará para o futuro, e que o quanto antes você começar a desenvolver novas habilidades, mais seguro estará para o dar esse salto. Vale a leitura!  Link Amazon: https://amzn.to/40LRURr

  • A regra é não ter regras, Reed Hastings e Erin Meyer

    Talvez você não tenha lido, mas provavelmente já ouviu falar sobre o “Netflix Culture Deck”, um documento de pouco mais de 100 slides que explica a cultura corporativa da  hashtag#Netflix .  No livro "A Regra é Não Ter Regras" , Reed Hastings (fundador da Netflix) e Erin Meyer (professora da Insead) detalham o modelo de gestão e a cultura de “Liberdade e Responsabilidade” da empresa que se tornou referência em streaming e roubou o lugar da Blockbuster no coração (e bolso) dos clientes. Algumas regras parecem estranhas para quem está acostumado com a rigidez das políticas de reembolso e bônus por performance. Mas é inegável que, com as pessoas e a cultura certas, são essas “regras” que construíram o sucesso da Netflix.  As 9 etapas são: 1 - Aumente a densidade de talentos: priorize a contratação e retenção dos melhores profissionais do mercado, pagando acima da média. 2 - Promova o candor: incentive o feedback honesto (mesmo quando desconfortável). 3 - Remova os controles: à medida que a equipe amadurece, elimine burocracias como controle e limites de férias ou aprovação de despesas. 4 - Fortaleça a densidade de talentos: pague acima da média de mercado, sem bônus atrelado a performance. 5 - Aumente a transparência: ensine as equipes a lerem o P&L e compartilhe informações financeiras e estratégicas com todos. 6 - Delegue a tomada de decisão: para encorajar a inovação, a a tomada de decisão deve estar em todos os níveis hierárquicos (e aprenda com os erros) 7 - Maximize a densidade de talentos: encoraje os líderes a manterem em seus times apenas as pessoas com a mais alta performance. Líderes que toleram desempenho medíocre afetam toda a organização. 8 - Maximize o candor: crie mecanismos oficiais de feedback e treine os funcionários para que falem abertamente e honestamente uns com os outros 9 - Lidere com contexto, não controle: deixe clara a direção para onde a empresa vai, para que as pessoas possam tomar as melhores decisões. Inspirador? Sem dúvida! E várias empresas tentam copiar esse modelo.  Mas um erro comum é tentar aplicar partes dessas regras ou pular etapas. Por exemplo, sem densidade de talentos, não é possível promover feedbacks honestos. Algumas pessoas - até mesmo (ou principalmente?) líderes - simplesmente não estão preparadas para ouvir.  O sucesso da Netflix está na maturidade para implementar, ouvir, ajustar e aprender continuamente. Link: https://amzn.to/3ZoaQF2

  • Como as Marcas Crescem, Byron Sharp

    "How Brands Grow", de Byron Sharp, é um livro que questiona (com dados, evidências e uma clareza impressionante) todas as nossas "verdades" sobre gestão de marcas.  Algumas das provocações que ele traz: 👀 Crescimento vem de ganho de penetração (mais consumidores), não de lealdade (consumidores fiéis) - é melhor focar em aquisição do que em retenção 👀 Distinção (logo, cores, slogan) fáceis de reconhecer são mais importantes que inovação e diferenciação 👀 Descontos e promoções só reduzem margens, antecipando compras de consumidores que já usam a marca, e não trazem novos consumidores 👀 Comunicação de massa é mais efetiva que marketing segmentado  👀 O uso de emoções genéricas (e com apelo de massa) é mais impactante que valores profundos ou narrativas complexas É para concordar com tudo e mudar toda a sua estratégia? Não.  Mesmo com tantos dados, de diversas categorias e países,  hashtag#marketing  é uma disciplina complexa, com especificidades difíceis de serem generalizadas em "leis universais" como as que Sharp traz no livro.  Ainda assim, sem dúvida, essa é uma leitura obrigatória para profissionais de marketing, que muitas vezes se deixam levar pela nova teoria ou modismo e esquecem de avaliar dados e evidências reais do comportamento da peça mais importante: o consumidor.  Link para compra: https://amzn.to/3ClKXN9 #livros   #branding   #leitura

  • Sem Filtro, Sarah Frier

    Adoro histórias de bastidores sobre startups, da visão dos founders até o produto que acabamos conhecendo (passando por muitas iterações e “perrengues” no meio do caminho). SEM FILTRO, da jornalista Sarah Frier, traz tudo isso - e muito mais. O livro narra a história do Instagram, provavelmente o app que teve maior impacto na sociedade nos últimos dez anos.   O sucesso inicial do Instagram veio da combinação de timing perfeito (ele nasceu quase junto com a popularização de smartphones com câmeras) com a simplicidade do app e o foco constante na experiência do usuário. Tudo isso foi potencializado após a compra (precoce?) pelo Facebook, que possibilitou anos de crescimento sem receita, seguindo a tese de Zuckerberg, de que “a geração de receita deve vir apenas depois que a rede tiver poder de permanência”. A autora então conta os bastidores de como, com o capital para crescer, vieram também os interesses e as pressões políticas e culturais, a falta de autonomia e - eventualmente - a saída dos founders, pouco depois de atingirem o marco de 1 bilhão de usuários.  Mas o ponto mais interessante do livro, sem dúvida, é o impacto do aplicativo na sociedade.  O Instagram desafiou nossos conceitos de mídia e celebridade; criou uma nova economia de influenciadores; redefiniu o que admiramos (e compartilhamos) como estilo de vida; deformou a nossa percepção da realidade, através de filtros e métricas e das pequenas doses de dopamina a cada “like” ou novo seguidor.  “Sem Filtro” é uma leitura obrigatória para quem quer entender a história de uma das redes sociais mais influentes, as complexidades de uma grande aquisição e os impactos sociais que surgem quando tecnologia muda tão profundamente o comportamento da sociedade.  PS: E já que falamos do assunto, me segue lá no @livronomia_.  PS2: Aproveita que o livro está em promoção na Black antecipada da Amazon: https://amzn.to/3CmOAC9

  • Sobre Ter Certeza, Robert A. Burton

    Você tem certeza? Quantas vezes respondemos que sim a essa pergunta - e depois nos surpreendemos por estarmos errados? Afinal, você sabe o que é ter certeza?  No livro “Sobre Ter Certeza”, Robert A. Burton, investiga os processos neurológicos por trás da sensação de certeza, e desafia a nossa crença de que a convicção é necessariamente fruto da razão e da lógica. Segundo o autor, a sensação de certeza é uma emoção, uma sensação gerada pelo cérebro. Ele compara a certeza a outras emoções ou sensações, como fome ou medo — algo que está fora do nosso controle. Burton explica que diferentes regiões cerebrais, como o córtex pré-frontal e o sistema límbico, trabalham em conjunto para gerar a sensação de convicção. Ela vem, assim, de circuitos neurológicos que envolvem “camadas mais profundas” do inconsciente - onde o pensamento não é necessariamente racional e pautado em evidências.    Talvez seja justamente por isso que temos tanta dificuldade em mudar de opinião - ou convencer alguém a mudar de opinião com argumentos puramente racionais em cima de temas polarizastes como política e religião.  A lição do livro (eu acho) é que precisamos nos acostumar com a ideia de que não ter certeza é parte fundamental da condição humana.  Em vez de buscarmos a certeza a qualquer custo, devemos aceitar a complexidade e o questionamento contínuo, entendendo que a certeza também pode ser uma ilusão ou um ponto de vista - e que reconhecer a incerteza pode nos tornar mais empáticos. Com certeza (rs), esse foi o livro mais difícil que li esse ano. Além da linguagem bastante acadêmica, o próprio autor, ao sugerir a sua tese sobre a certeza, afirma não ter certeza se ela está certa… Não vou dizer que não recomendo a leitura - mas (com certeza!) é um livro para quem já estuda neurociências ou tem algum conhecimento mais profundo em psicologia.  Link: https://amzn.to/48hrskv

  • Indistraível, Nir Eyal

    Comecei o Indistraível , de Nir Eyal, esperando um “manual” de dicas de como fugir das distrações que temos o tempo todo disponíveis no celular.  Afinal, o autor escreveu também Hooked , o best-seller que ensina todos os hacks e truques psicológicos para deixar as pessoas mais engajadas - e viciadas - em games e aplicativos. Quem melhor que o autor da receita para dar o antídoto?  De fato, o livro traz dicas práticas de como lidar com os gatilhos externos que interrompem nossa concentração e nos mantém constantemente distraídos. Por exemplo, limitar o tempo de acesso a redes sociais, desativar as notificações e colocar o celular em modo “não perturbe”. Mas o livro surpreende na forma com que trata dos “gatilhos internos” - os sentimentos de tédio, estresse ou ansiedade, que nos fazem querer fugir da realidade e buscar uma distração.  Segundo o autor, o desejo de aliviar o desconforto é a causa de todo comportamento. Nosso cérebro evoluiu para permanecer em estado de constante insatisfação - evitamos o tédio, lembramos mais dos momentos ruins do que dos bons, temos uma tendência a ruminar as experiências passadas e - quando finalmente estamos satisfeitos com alguma coisa - vem a tal “adaptação hedônica” e voltamos aos nosso nível inicial de satisfação.  Essa nossa caraterística, claro, foi responsável pela evolução da nossa espécie - ela nos levava a caçar ou buscar novas formas de sobreviver.    Já hoje, com as nossas necessidades básicas bem atendidas, essa insatisfação nos leva a buscar mais a mais distrações, qualquer coisa que nos tire desse desconforto. A solução do autor? Lidar com as distrações de dentro para fora.  Com técnicas como “terapia de aceitação e compromisso” (ACT, em inglês), aprender a perceber os gatilhos internos, as sensações e emoções, e observar em vez de reagir. E assim, retomar o controle da nossa atenção e de como usamos o nosso tempo.     Talvez o autor coloque responsabilidade demais nas nossas mãos? Talvez. Mas a leitura (desde que com o celular em modo avião) já é um passo na direção certa. Link: https://amzn.to/4fjt8wa

  • Supercomunicadores, Charles Duhigg

    Sabe aquele livro que você não consegue largar até terminar? Comprei Supercommunicators, de Charles Duhigg, com a expectativa bem alta, porque amei “O Poder do Hábito”, do mesmo autor. E não me decepcionei.  O grande diferencial do livro é que ele vai além de outros tantos títulos sobre o assunto, que focam apenas na escuta ativa.  Sim, ele fala que precisamos demonstrar que estamos realmente envolvidos na conversa, acenando com a cabeça, mantendo contato visual, parafraseando, fazendo perguntas abertas (aquelas com respostas que vão além de "sim" ou "não”), e compartilhando nossas próprias experiências e vulnerabilidades. Mas o grande insight do livro está em nos ensinar a entender qual o tipo de conversa que o nosso interlocutor quer ter. O autor separa as conversas em três categorias: CONVERSAS PRÁTICAS: giram em torno da tomada de decisões e resolução de problemas, concentrando-se na logística necessária para alcançar objetivos específicos. CONVERSAS EMOCIONAIS: oferecem um espaço para que as pessoas expressem seus sentimentos e encontrem empatia, aprofundando as conexões pessoais. CONVERSAS SOCIAIS: investigam identidades e relacionamentos, explorando como os indivíduos se veem e interagem com os outros em diferentes cenários sociais. Ao identificar que tipo de conversa o seu interlocutor quer ter, você consegue se adaptar e transformar a conversa - que poderia ter virado uma discussão - em uma conversa significativa: aquela em que nossos cérebros se alinham, sincronizando pensamentos e até mesmo reações fisiológicas, como batimentos cardíacos e padrões respiratórios. Com cases que vão da Netflix até a CIA, o livro oferece um guia passo a passo de como identificar que tipo de conversa está acontecendo, e como transformá-las em conversas de aprendizado - aquelas com real potencial de conectar e transformar.   E o melhor: o autor reforça que a comunicação eficaz não é um dom nato, mas uma habilidade que pode ser desenvolvida por qualquer pessoa. Vale a leitura! Link: https://amzn.to/3BZ7z5z

  • 21 Lições para o Século XXI - Yuval Noah Harari

    Você está pronto para a Inteligência Artificial? Esse é um dos temas centrais abordados por Yuval Noah Harari em 21 Lições para o Século 21. Publicado em 2018, o livro já antecipava a revolução tecnológica que vivemos hoje. É muito comum vermos comparações das transformações atuais com as grandes mudanças do passado, como a pedra lascada ou a Revolução Industrial. A grande diferença é que essas substituíram ou aumentaram nossa habilidade física. O que fazíamos com as mãos, passou a ser feito por instrumentos e máquinas. A revolução que vivemos atualmente é diferente: ela “ameaça” a nossa cognição. O que as máquinas hoje são capazes de fazer é bem parecido com o que - segundo os neurocientistas - o nosso cérebro faz: reconhecer padrões familiares e calcular diferentes probabilidades em uma fração de segundo. E com uma capacidade computacional e de armazenamento exponencialmente crescente. Isso significa que vamos ser substituídos? Que os empregos vão acabar? Que os computadores vão dominar o mundo? Não sei — e Harari também não oferece uma resposta definitiva. Mas ele oferece, sim, uma grande lição: a importância de aprender a pensar criticamente. Não se trata de acumular mais informação — como aquelas que fomos forçados a aprender na escola ou as dezenas de newsletters que assinamos. Trata-se de aprender a pensar: sair das nossas bolhas, distinguir o que realmente importa do que é irrelevante (ou fake!). E também aprender a observar nossa própria mente, compreendendo seus padrões, modelos mentais e vieses. Só assim estaremos realmente prontos para a Inteligência Artificial. Mais do que “lições”, esse livro é um conjunto de ensaios (brilhantes) não só sobre o futuro do trabalho, mas sobre diversos temas nos quais deveríamos pensar, como bioengenharia ou aquecimento global. Vale a leitura! Link: https://amzn.to/4eOnBhs

©2024 por Fernanda M Schmid

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