OFF THE SCALES — The Inside Story of Ozempic and the Race to Cure Obesity, Aimee Donnellan
- fernandamschmid
- há 2 dias
- 2 min de leitura

“Off the Scales - a história por trás do Ozempic e da corrida para curar a obesidade”, da jornalista Aimee Donnellan, é um dos melhores livros de não-ficção que eu li - não só esse ano, mas nos últimos tempos. (pausa para um PS aqui — nada como um bom jornalista escrevendo, né?).
Apesar da fama ter acontecido nos últimos anos, a história do Ozempic começa lá em 1980, em dois continentes opostos: na Universidade de Copenhagen e em um hospital no Massachusetts, onde pesquisadores identificaram um hormônio intestinal com as propriedades certas para controlar os níveis de açúcar no sangue. O livro conta toda a saga dos cientistas que desenvolveram a molécula e depois o medicamento, e toda a transformação na sociedade que veio junto. O tratamento é tão eficaz que já está mudando setores inteiros, da saúde ao fast food à moda, e rapidamente tornou sua criadora, a dinamarquesa Novo Nordisk, a empresa mais valiosa da Europa.
Além dos bastidores científicos, a autora explora as mudanças na sociedade ao longos dos últimos 50 anos.
Enquanto a indústria de ultraprocessados foi educando os consumidores a comerem de forma mais “prática”, com lasanhas de microondas e drive-thrus com combos cada vez maiores, mas também muito menos saudável, a indústria da beleza foi educando os consumidores (em especial, as mulheres) que “beleza” é sinônimo de “magreza”.
O livro é incrível, então não vou nem pensar em resumir aqui. É pra ler mesmo, pra (re)pensar a nossa sociedade e as nossas indústrias. Mas preciso destacar o papel de três mulheres nessa história toda:
Svetlana Mojsov: PhD macedônia, bioquímica, foi a primeira pessoa a identificar a forma biologicamente ativa do GLP-1 e a sintetizá-lo em laboratório (em termos bem leigos aqui). Ela precisou entrar numa batalha judicial de dez anos para ser reconhecida na patente. DEZ ANOS.
Lotte Bjerre Knudsen: cientista do interior da Dinamarca que, trabalhando na Novo Nordisk, dedicou uma década (e diversas tentativas frustradas) ao desenvolvimento do que viria a se tornar o Ozempic, o medicamento mais famoso do mundo. O que pouca gente sabe: ela assumiu a liderança do projeto assim que voltou da licença-maternidade.
Silvia Lagnado: a brasileira por trás da campanha Real Beleza, que aprovou, numa sala cheia de homens, a campanha que mudaria a forma como a indústria da beleza se comunica. Esse movimento impactou positivamente a saúde mental de milhões de meninas que cresceram depois de 2010 (diferente da minha geração, que cresceu achando que precisava ser magra como as modelos nas passarelas e achava normal ter bulimia ou anorexia).
O que essas três têm em comum? Eram, muitas vezes, as poucas mulheres na sala. Frequentemente tomadas por sentimentos de inferioridade e insegurança. Mas também: trabalho duro, obstinação, curiosidade, e a coragem de desafiar e mudar a sociedade.
Terminando com mais um PS aqui: nada como uma boa jornalista MULHER pra saber trazer as nuances que desaparecem em tantas narrativas que ouvimos por aí.
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