Making Motherhood Work, Caitlyn Collins
- fernandamschmid
- 4 de mai.
- 2 min de leitura

De tudo que li no ano passado, “Making Motherhood Work” foi, sem dúvida, o meu livro favorito. Cheguei até ele pela minha tese do mestrado, que tratou da identidade profissional da mulher após a maternidade, mas ele me marcou muito além da academia.
A pesquisadora americana Caitlyn Collins reuniu, através de entrevistas profundas e reveladoras, histórias de mulheres em quatro países desenvolvidos: Estados Unidos, Suécia, Alemanha e Itália. O fio condutor do livro é o impacto das políticas públicas, leis e a cultura de cada lugar no espaço que a mulher ocupa no mercado de trabalho depois que se torna mãe. O contraste entre os países é gritante.
No extremo mais igualitário está a Suécia, provavelmente a sociedade que mais avançou nessa direção. Por lá, a licença parental pode ser dividida entre os pais, e os pais de fato a tiram e dividem as tarefas desde os primeiros meses de vida da criança.
É claro que o pai não engravida nem amamenta. Mas essa participação precoce cria um vínculo e uma responsabilidade que se mantém ao longo do tempo. Nas entrevistas, as mulheres suecas riam da pesquisadora quando ouviam a expressão "mães que trabalham", porque a ideia de que uma mãe não trabalhe é completamente alienígena para elas. Não havia culpa nem tensão entre os papéis. Por lá, governo garante escola pública de período integral, e as empresas permitem e normalizam que os pais terminem o expediente às quatro da tarde para buscar (e ficar com) os filhos.
No extremo oposto está os Estados Unidos, onde não existe sequer uma lei federal que garanta a licença-maternidade. A cena que se repete nas entrevistas é a de mulheres exaustas, trocando de emprego ou abandonando a força de trabalho completamente, criando soluções individuais para uma questão que é coletiva e estrutural. O nível de felicidade dos pais americanos, comparado ao de casais sem filhos, é o pior do mundo ocidental. A sensação permanente das mulheres é a de estar fazendo tudo abaixo da média. Pra piorar, tem ainda a pressão cultural de movimentos como o Lean In, que cobram que as mulheres peçam mais responsabilidades e conquistem mais espaço no trabalho.
O livro traz ainda histórias da Alemanha, onde existe até hoje um contraste cultural marcante entre as antigas Alemanha Ocidental e Oriental, e da Itália, o caso que mais se aproxima do Brasil, tanto em termos de legislação quanto de dinâmica cultural: são as avós e as funcionárias domésticas que assumem as funções em casa para que as mães possam trabalhar. Mas a responsabilidade sobre a casa e os filhos ainda é da mulher.
Recomendo esse livro para qualquer pessoa que queira entender, com dados e histórias reais, como as legislações e as políticas públicas têm um impacto direto e concreto na viabilidade da presença da mulher no mercado de trabalho. Como mãe de duas meninas, tendo passado (e ainda passando!) por muitas dificuldades para gerenciar os dois lados, foi uma leitura que me marcou muito - e muito além da minha tese.
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