Sofrimento não é doença, Daniel Martins de Barros
- fernandamschmid
- 25 de jan.
- 1 min de leitura

Lembra da dificuldade que era a internet discada? E de quando tínhamos que esperar a mãe sair do telefone pra poder ligar pra uma amiga - e ainda lembrar do número da casa da pessoa? Hoje está tudo muito mais fácil. Mas quanto mais o mundo fica “acolchoado” (eu mesma não sei um telefone de cór), menos a gente aguenta qualquer incômodo.
É claro que existe gente sofrendo de verdade, e que merecem ser tratadas. Mas hoje, qualquer tristeza vira “depressão”, o esgotamento vira “burnout”, um pouco de distração já vira “TDAH”. Termos sérios, que deveriam abrir portas para cuidado, acabam virando papo de bar e legenda de selfie.
No livro Sofrimento não é doença, o psiquiatra e professor da USP, Daniel Martins de Barros, fala sobre essa diferença entre sofrimento e doença - e sobre como estamos cada vez menos tolerantes à frustração.
Pra piorar, nossa expectativa está cada vez mais alta.
Já falei disso em diversos episódios do podcast “Felicidade dá Trabalho”: entre redes sociais, comparação, produtivismo, culto à alta performance, não é muito difícil a realidade ficar muito abaixo das expectativas. E aí vem mais sofrimento.
No fim, entre a baixa tolerância ao incômodo e expectativas cada vez mais irreais, perdemos a noção do que realmente precisa de medicina, e do que é só parte normal da vida - e pode ser resolvido com uma conversa, um abraço ou até mesmo uns respiros bem profundos.
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