Morra Sem Nada, Bill Perkins
- fernandamschmid
- 12 de mai.
- 2 min de leitura

"Morra Sem Nada" parte de uma ideia provocadora: você está acumulando dinheiro para uma vida que talvez nunca viva. Vou tentar resumir:
O autor, Bill Perkins, argumenta que três fatores determinam nossa capacidade de aproveitar a chamada "energia vital": saúde, tempo livre e dinheiro. E que o problema é que raramente os três coexistem.
Quando somos jovens, temos saúde e tempo, mas não dinheiro. Quando chegamos à meia-idade, temos dinheiro e alguma saúde, mas não temos tempo pra nada. Aí vem a velhice, o dinheiro está lá na conta, sobra tempo... mas a saúde já não dá conta.
A lógica, portanto, seria aproveitar cada fase com o que ela tem a oferecer, gastando enquanto você tem saúde e tempo, em vez de guardar tudo para um futuro em que talvez você não consiga tirar proveito do que juntou.
Tem coisas no livro que eu concordo e vivo há tempos. A ideia de investir em experiências, por exemplo (sou daquelas que reserva a próxima passagem aérea antes de terminar a viagem atual). Perkins deu até um nome pra isso: "dividendo de lembranças", a ideia de que boas memórias rendem juros ao longo da vida inteira.
Também faz muito sentido a sugestão de passar parte da herança em vida para os filhos, numa fase em que eles realmente precisam e podem usar o dinheiro, em vez de esperar que eles herdem aos 60 anos.
Por fim, gastar em coisas que economizam tempo. Não podia concordar mais! Se você pode terceirizar a limpeza da casa e usar esse tempo pra outra coisa (tipo ler um livro!), compra logo a lava-louças, mesmo que precise de uma pequena obra na cozinha!
Se o livro te interessou, vale ler - mas com cautela. O livro exagera em alguns pontos que me incomodaram. A matemática de Perkins sugere que você calcule a idade da sua morte, e parte do pressuposto de que, na velhice, você vai precisar de menos dinheiro porque não vai mais conseguir aproveitar viagens e passeios da mesma forma.
Essa lógica ignora completamente que uma velhice confortável custa caro (acho até que muito mais caro do que algumas férias e passagens aéreas).
Vi de perto quanto meus avós demandaram de cuidados de saúde, estrutura de moradia, suporte de qualidade. Meu avô, antes de falecer, ainda muito lúcido mas com o corpo bem delimitado, um dia falou que "calculou errado a data da morte". Começaram a gastar como se fossem viver até os 75-80 anos. E viveram até mais de 90, precisando de ajuda financeira da família por mais de uma década.
Guardar mais do que o mínimo necessário nesse "atingir meta" da expectativa de vida pode ser exatamente o que garante dignidade e autonomia em fases mais vulneráveis da vida.
Enfim... Não é um manual para seguir à risca, mas é um bom choque de realidade para quem está adiando a vida em nome de um futuro hipotético. Se você vive no modo "quando eu me aposentar" ou "quando eu quitar a casa", talvez valha a pena ler.
No fim, a pergunta que fica é boa: o que você está esperando para viver agora?
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